Você sabe o que é Psicologia Psicossomática?

The Road Beams Path Forest Nature  - bertvthul / Pixabay

Imagine que você está andando por uma estrada tranquila, limpinha, fresca, arborizada e florida, num final de tarde. Está usando roupas leves, um calçado confortável, sem pressa para chegar…

Nas primeiras passadas você percebe que entrou uma pedrinha muito pequenina no seu sapato, mas pensa: “não vou me abaixar e parar a caminhada por causa desta pedrinha”. Continua andando, sorrindo e feliz, valorizando aquele momento de plenitude e paz.

Lá pela terceira parte do caminho, você não está mais sorrindo, percebe que manca um pouco, mais ainda assim pensa “pedrinha danada, não vou me abaixar e parar de caminhar”, e continua andando…

Quando se vê quase no fim do caminho, mal se dá conta da pedrinha ou do pé, mas seu corpo está frio, as mãos e dentes cerrados, doem as costas e a cabeça, puxa a perna esquerda e se dá conta que está com uma tremenda íngua.

A única coisa que você deseja nesta hora é achar um banco para que possa se sentar – possivelmente até deitar – e que, “pelo amor de Deus”, alguém passe por ali e lhe tire o sapato. A esta altura, você nem se lembra da estrada linda, arborizada e florida, nem percebe que o sol se pôs, e que você perdeu o show da natureza, o qual pretendia ter visto.

Isto é psicossomática: Um pensamento equivocado que gera um sentimento equivocado, que leva a um mal estar geral.

Angela Carero

Não se pode tomar banho sem levar a cabeça, mesmo que você não vá lavá-la. Uma coisa está relacionada com a outra, sempre. Nada acontece por acaso.

Mas o Ser Humano complica as coisas, é de sua natureza, e na maioria das vezes não se dá conta que o mal que o acomete pode ser aquela pequena pedrinha que está no seu sapato.

Não quero dizer com isso que os dramas pessoais sejam banais, mas sim que a solução pode ser mais fácil que se imagina (nesse caso, tirar a pedrinha).

A grande dificuldade das pessoas é perceber que, se os pensamentos estão equivocados, os sentimentos também estarão. Não é apenas a desqualificação do problema (a entrada da pequena pedrinha), mas o que o levou a pensar que não deveria resolver o problema naquele instante em que o percebeu. Assim se formam as “redes”, onde as pessoas estão “aprisionadas” e cheias de “nãos”.

A doença em si deve, sim, ser tratada para aliviar a dor (tratar da íngua), mas deve-se buscar as causas da doença (tirar pedrinha do sapato), para que você não caminhe mais com dificuldades e não perca a oportunidade de viver aquela caminhada tranqüila e, assim, poder ver o lindo show da vida, como o pôr do sol.

Infelizmente, na cultura brasileira, costuma-se tratar apenas dos efeitos das doenças, não as causas. Tenho amigos médicos que costumam indicar a psicoterapia para seus pacientes, mas a resistência ainda é muita. A primeira reação dos pacientes, quando indicado à psicoterapia é de espanto: “Dr! O Sr. está pensando que estou louco?! Psicólogo é para isso, não é?!”

Falta esclarecimento para a população em geral e para os médicos e convênios: Psicoterapia Psicossomática é não só a cura das causas das doenças, é medicina preventiva.

Angela Carero

Angela Carero

Psicóloga - CRP 06/34037-4